Filtro ou Impecílio

Um dos temas em alta nos últimos dias é a Prova da OAB ou Exame de Ordem de 2011. Os índices apontam quase 90% de reprovados. A grande questão é: a quem cabe esse resultado?
Para muitos, o péssimo desempenho no Exame é reflexo do nível de questões do teste muito acima da capacidade ou do esperado pelos candidatos. Para outros, é consequência do despreparo dos próprios estudantes.
Segundo Luís Cláudio Chaves, presidente da OAB/MG, o elevado índice de reprovados não pode ser explicado em função da dificuldade do teste. " O grau de exigência foi o mesmo de sempre", afirma. Além disso, atribui grande parte da responsabilidade à escolas de ensino jurídico que "não têm condições de propiciar um bom estudo". Compartilhando da mesma opinião, o presidente da Comissão do Exame de Ordem da OAB/MG, Carlos Shirmer, avalia que a qualidade do ensino não acompanhou a proliferação de cursos de Direitos no Brasil. Já o desembargador, Sylvio Capanema, ex-vice-presidente do Tribunal deJustiça do Rio de Janeiro, diz que “as provas da OAB estão num nível de dificuldade absolutamente igual às da defensoria do Ministério Público e, se bobear, da magistratura”, e mais: "posso dizer com absoluta sinceridade que eu, hoje, não passaria no Exame de Ordem.”
Essas análises chegam ao ponto central do debate: não seria mais vantajoso pôr fim à prova?
Diversas personalidades jurídicas acreditam que o Exame de Ordem pode ser comparado a um filtro que possilita "peneirar" os bons profissionais dos desqualificados. "É necessário refinar o corpo jurídico do país, selecionar apenas aqueles que provarem ser dignos de portar um diploma de bacharel em Direito", defende Daniel Murta, advogado recém- aprovado no Exame 2010/3. E mais. Muitos estudantes também reconhecem a importância da prova.
Por outro lado, há aqueles que a consideram desnecessária : "as provas estão sendo cada vez mais acirradas, tem um grau de dificuldade que eu acho que não precisaria ser atendido nesse início de carreira do bacharel em direito”, afirma a professora de direito Flavia Bahia Martins.
Conclui-se que o grande desafio a ser enfrentado para se obter bom êxito no Exame, perpassa tanto o empenho dos canditatos que, dessa maneira, devem ter uma postura firme e comprometida com o curso durante o período de graduação, quanto aos investimentos por parte das Instituições de Ensino que, no momento, mostram-se despreparadas para possibilitar uma melhor formação aos alunos.

REFERÊNCIAS: Revista Pela Ordem (OAB/MG)
e site : http://g1.globo.com

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